sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CELEBRANDO UMA GRANDE MULHER!


“Gilberto, continue firme e não amoleça; eu sempre vou estar ao seu lado”.

Esta frase eu sempre ouço nos momentos difíceis em que, vez ou outra, meus pensamentos insistem em me importunar.

São doces e fortalecedoras palavras que minha mulher me diz quando sinto que o amanhã parece invisível. Quando isso acontece, geralmente não estou sentindo nenhum tipo de dor, são aqueles momentos em que baixa uma espécie de tristeza, e minha consciência insiste em me mostrar a realidade. Não que eu fuja dela, pelo contrário, sou até muito realista. No entanto, prefiro viver o hoje com mais força, deixando o amanhã para o futuro. Nessas horas - eu sempre deitado - a Elzi chega sem que eu esteja esperando, observa que estou chateado, me afaga e me diz as palavras acima. Depois permanece um tempo comigo naquela posição. Nesse momento fico calado. Continuo calado, não consigo falar nada. Quando a Elzi me diz isso, ela tem consciência que sei de tudo que está acontecendo, e o que vai acontecer, porém ela sabe também que estas palavras me confortam muito.

Desde que comecei a fazer uso deste blog para relatar minhas experiências, vocês, meus amigos, têm acompanhado minha saga. Verdadeiramente passo a vocês a maneira com que encaro os desafios; sempre com muita Fé e muito otimismo. Mas esta minha postura só está sendo possível pela confiança que tenho em Deus e onde agradeço à minha família pela semente plantada e pela estrutura que existe ao meu redor. Falo tanto da estrutura física quanto da psicológica.

Em estrutura física, sou privilegiado. Tenho tudo que é necessário para viver e lutar com dignidade. Quanto ao apoio psicológico, sou mais afortunado ainda, pois tenho vários médicos que me assistem e inúmeros amigos que torcem e oram por mim, sem contar minha família, que é maravilhosa. Porém, hoje gostaria de me referir à minha esposa. Ela, sim, é a responsável maior pela minha sobrevivência!

Grandes são as mulheres. Já dizia o nobre compositor que é mentira absurda a mulher ser o sexo frágil. Ele, Erasmo Carlos, eternizou a grandeza delas, com a canção: Mulher (Sexo Frágil). Nela, o amigo do rei, afirma que a “força” está com a mulher que faz parte de sua rotina e que sua sabedoria não tem preço. O autor prossegue enaltecendo sua mulher com muita inspiração e termina dizendo que na escola em que ela foi ensinada, ele jamais tirou um dez.

A minha esposa faz parte desse grupo: o grupo das grandes mulheres. Desde nova, menina guerreira. Sempre soube o que quis da vida. No trabalho luta bravamente, com garra, fibra e muita, muita honestidade. Por dedicação aos filhos e pela preocupação de formá-los bem, abdicou de promissoras carreiras no serviço público. Não é à toa que sua estrela profissional nunca deixou de brilhar. Depois do trabalho, não sei onde arruma energia para os problemas domésticos que ficam por resolver.

Faz parte de sua essência preocupar-se com todos, com sua família - principalmente com a mãe -, assume todos os procedimentos. Sempre bem assessorada por vários colaboradores, eles vão contribuindo para um melhor final de estada da D. Alice nesse mundo. Mas não é só a família; todos que estão ao seu redor e principalmente os que batem à nossa porta são por ela tratados com dignidade e respeito. Pelo que conheço dela, ao ser abordada por aquele que solicita ajuda, sua consciência é questionada sobre nossa responsabilidade sobre aquela pessoa. A Elzi é assim. Ela se preocupa com todos.

Com relação a mim, faltam-me palavras. Às vezes acho que ela não é desse mundo. Segundo alguns princípios da religião espírita, cada pessoa encontra-se em um plano evolutivo diferente do outro. Entre outras coisas, a doutrina de Kardec também afirma que cada um de nós tem um  potencial de entendimento e percepção da própria vida. Não sei quase nada sobre esse assunto, o que sei é o que me chega através de alguns amigos seguidores dessas primícias. Mas ousando dizer algo sobre o tema, acho que Allan quer transmitir que existem algumas pessoas que, além de ter um entendimento melhor sobre os problemas da vida, possuem uma capacidade maior que os demais no que diz respeito a vários aspectos da vida como: amor ao próximo, aceitação de problemas, sensibilidade, responsabilidade, honestidade e caridade. A Elzi está nesse grupo diferenciado. Ela consegue entender o que eu não consigo explicar. Ela providencia o que preciso sem que eu peça e às vezes acho que ela sabe o que penso. Para mim ela é um anjo.

Quando conheci e me apaixonei por minha esposa, não pensava o quão fantástica seria aquela criatura. Na época, tudo eram alegria e romantismo, e as agruras da juventude não deixavam imaginar que no futuro as coisas poderiam não ser tão tranquilas como naquela época. Hoje, diante de tantos problemas enfrentados, retorno meu pensamento a vinte e três anos atrás, precisamente na matriz de nossa cidade. Naquele altar, de frente ao Santíssimo Sacramento, e tendo um sacerdote como ministro sacramental, foi feita promessa de doação total de um para o outro, seja na saúde ou na doença. Também presenciaram o fato alguns padrinhos e uma igreja repleta de convidados que serviram de testemunhas.

Hoje fico imaginando o que seria daquela promessa fosse eu que estivesse no lugar dela enfrentando os problemas com tanta propriedade com que ela enfrenta. Não sei se daria conta do recado, pois naquela época não imaginava a dimensão e a profundidade dos obstáculos que a vida viria a nos oferecer. A ela agradeço a promessa mantida, sem sua companhia não sei como estaria minha vida hoje.

Elzi, hoje, 10 de Fevereiro, é o dia do seu aniversário. Gostaria de lhe agradecer muito por seu companheirismo e sua dedicação, além disso, tenho vontade de lhe dizer muitas palavras bonitas, mas como você sabe não sou bom nisso. Sei que você evita a exposição pública, mas achei que nossos amigos precisavam saber mais um pouco sobre você.

Enfim, o que importa é o registro de agradecimento que faço do seu amor, do seu carinho e da sua dedicação.

Um beijão e um feliz aniversário!


Gilberto Lobato

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DE VOLTA À HEMODIÁLISE


Infelizmente acabou.  Depois de onze anos saudável, meu rim transplantado não aguentou mais a carga imposta sobre si. O fato é que, apesar dos momentos felizes vividos nesse período, houve também excesso de visitas aos blocos cirúrgicos. As várias intervenções cirúrgicas a que fui submetido minaram a resistência do nobre órgão. Assim, desde agosto de 2011, conto com a ajuda das máquinas de hemodiálise do Centro Nefrológico de Formiga.

Após quatro meses na nova experiência, continuo contando com a bênção Divina, pois tenho a sorte de poder dispor de um centro de hemodiálise de alto padrão na própria cidade que moro. Isso é privilégio para moradores de poucas cidades no Brasil; Formiga é uma delas.

Acho importante informar aos amigos de minha cidade e região, que nosso Centro é dotado de equipamentos modernos, equipe de médicos competentes, enfermeiros capacitados e corteses, bem como funcionários eficientes e educados. Completam o quadro, uma psicóloga e um nutricionista. No dia a dia do atendimento, além da experiência e a capacidade profissional empregada no processo do tratamento, são servidos aos pacientes lanches, almoço ou jantar, antes e após as sessões. Nosso Centro recebe também, pacientes de várias cidades da redondeza, que diariamente mandam suas “Vans” em direção a Formiga, mantendo viva a esperança de dezenas de pessoas.
Além de poder contar com o moderno Centro de hemodiálise pertinho da minha casa, estou tendo a certeza de que o tratamento está sendo eficiente. Os resultados da filtragem artificial me fazem sentir melhor. Agradeço a Deus por existir o processo de hemodiálise para os pacientes com insuficiência renal porque, fosse o problema em outro órgão, nem possibilidade do uso da máquina existiria. Portanto eu e os outros com problemas nefrológicos ainda podemos nos considerar sortudos.

A rotina e o modo de tratamento são mais ou menos assim: no início, as coisas são mais difíceis, pois para um paciente se submeter ao processo de hemodiálise, é necessária a confecção de uma fístula no braço. Fístula é uma modificação que se faz na veia, ligando-a a uma artéria. Ela se torna capaz de suportar um maior fluxo de sangue e pode ser puncionada com mais segurança. Essa mudança no organismo é uma cirurgia relativamente simples; porém atualmente essas intervenções estão sendo feitas em Divinópolis ou Belo Horizonte.
Acontece que esta fístula demora em torno de quarenta e cinco dias para amadurecer - ou seja, só depois de mais de um mês, o braço estará cicatrizado e preparado para receber as agulhas do aparelho. Dessa forma, até que se processe esse amadurecimento, torna-se necessário inserir um cateter em uma veia, para que o paciente possa ser submetido ao tratamento dialítico, até que a fístula esteja em condições de uso. Esse cateter é introduzido na veia cava superior, à altura do pescoço – jugular -. Não sendo possível interceptá-la nessa altura, o cateter é instalado na femoral, bem próxima à virilha. O cateter torna as coisas mais difíceis, pois incomoda e interfere nos movimentos do paciente. Porém, apesar de incômodo, o implante e o uso do cateter podem ser tolerados; exigindo, é claro, uma boa dose de paciência.

No meu caso, já são quatro meses tolerando o cateter, pois só agora consegui fazer a tal fístula. Como nem tudo são flores e as coisas sempre acontecem comigo acompanhadas de outros problemas, desta vez não foi diferente. Porém, desde o início do processo de hemodiálise, vem me atormentando com dor intensa, uma úlcera venosa localizada na perna (causada pelas várias tromboses, que foram causadas pelo câncer). Diante disso, os cirurgiões, temendo uma infecção maior, se recusavam a executar a feitura da fístula. Assim, com cateter no pescoço e às vezes na perna, venho administrando as inconveniências que a situação me impõe e vou tolerando os incômodos que me desafiam. Pelo que já passei, essa questão do cateter é “mole”. A hemodiálise, então, nem se fala; acho tranquila. Afinal, tudo isso tem me feito bem. Estou realmente muito satisfeito com o tratamento.

Já tive a oportunidade de fazer a filtragem do sangue através de um processo de diálise doméstico. Isso se deu antes do meu transplante. O tratamento consistia em trocar um líquido que era colocado dentro do abdômen, mais precisamente no interior do peritônio. Isto se dava também, através de cateter  implantado na região próxima ao umbigo. Esse líquido absorvia as toxinas do organismo num tempo de cinco a seis horas de ação. Depois, esse líquido era trocado por outro, em um processo que durava em torno de quarenta minutos. Essas trocas de líquidos aconteciam quatro vezes por dia: pela manhã, ao meio-dia, à tarde e à noite. Durante todo o período, executei cerca de três mil trocas desse líquido. Depois de dois anos nessa lida, recebi de presente do meu irmão Gerson, um rim - o que me manteve vivo até hoje.

Sem perder a esperança de viver mais algum tempo, desta vez optei pelo processo tradicional de diálise. Resolvi experimentar, três vezes por semana, as quatro horas que a máquina exige para filtragem. Estou contente, pois descobri que optei pelo processo e pelo caminho certo, pois apesar da frieza da máquina e o fato da gente ter que possuir uma paciência “de Jó”, tudo é compensado pelo calor humano dos companheiros de hemodiálise. É muito gratificante chegar ao Centro de Hemodiálise e, juntamente com os demais, tomar café no refeitório antes da sessão. A maioria é gente muito simples e – apesar do sofrimento de cada um, todos são simpáticos e alegres; estão sempre sorrindo. E não é raro, que até dentro das salas de execução de diálise, volta e meia o riso aparece. Seja com piadas ou casos engraçados, os assuntos acabam envolvendo a todos em um clima positivo e alegre, apesar de tudo.

Dessa forma, vou continuar jogando minhas fichas na companhia desse pessoal. Lá, sinto-me integrar uma espécie de irmandade, onde flui uma energia que faz bem. Ao invés de me submeter diariamente ao processo de diálise peritoneal, na solidão de um quartinho que pode ser preparado em casa, é preferível estar lá, com a turma, nessa espécie de “comunidade”. Também, esta é uma boa oportunidade oferecida pela vida para se praticar a humildade. Afinal, evoluir espiritualmente é necessário.
A todos, um grande abraço. E não descuidem da saúde, principalmente da pressão arterial.



Gilberto Lobato

domingo, 25 de dezembro de 2011

LEMBREMO-NOS DE NICODEMOS


Achei muito interessante a abordagem que a Igreja Católica usou para anunciar suas mensagens de Natal. Usou-se muito o tema “renascimento,” ao invés de nascimento. Realmente, o evento do nascimento aconteceu uma só vez, claro. Então, comemorar o Natal como uma proposta de renascimento a todos nós é muito mais convidativo.

Lembremo-nos de Nicodemos, quando este ouviu do Próprio Cristo a proposta de renascimento. Hoje, graças à nossa evolução espiritual – mesmo admitindo ser ainda pequena -, não se justifica ficarmos confusos como ficou o nobre discípulo naquela época. Dessa forma, sugiro a todos que são, ou que se dizem Cristãos, aproveitar o verdadeiro espírito de Natal e abraçar com fé alguma proposta de mudança no comportamento. De preferência, alguma atitude voltada ao próximo. Afinal, esta questão do próximo nos é constantemente lembrada por Jesus.

Assim, aproveito o tema do renascimento, para desejar a todos um Natal rico em harmonia e que todos possam renascer na Luz e na Misericórdia de Deus. Que tenhamos ações e atitudes positivas em relação aos irmãos e à vida, pois precisamos ser elementos de transformação no mundo. Assim nos ensinam os Evangelhos.

Aos que seguem este blog e àqueles que não cessam de orar por mim, estejam certos, gostaria de abraçar a todos. Porém, devido à impossibilidade desse gesto, peço ao Pai do Céu que retribua a vocês o dobro de bênçãos desejadas a mim. Acreditem, as orações emanadas de vocês chegam ao Céu e são acolhidas pelo Altíssimo; e isso tem mantido minhas esperanças e minha vida. De coração, muito obrigado a todos e, se for possível, continuem com esta corrente de orações; será saudável espiritualmente para mim e para você.

Sejamos  o Sal do mundo!

Feliz 2012 a todos.



Gilberto Lobato

sábado, 29 de outubro de 2011

CICLOS DA VIDA

CICLOS DA VIDA

“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”


Há alguns anos atrás, Dr. Olinto, cidadão formiguense que trabalha com essências e florais, além de ser uma pessoa que possui grande simpatia e respeito da sociedade formiguense, nos brindava também com interessantes artigos, publicados no principal jornal de nossa cidade.

Articulista de grande potencial e sabedoria, nos oferecia, além de informações sobre elementos naturais, textos repletos de mensagens otimistas, enriquecidos com conceitos filosóficos que nos convidavam a reflexões sobre fatos que permeiam nossa rotina diária.

Inesperadamente, Dr. Olinto surpreendeu a todos com a notícia de que sua permanência em Formiga chega ao fim. Segundo ele, depois de um determinado tempo em nossa vida, seja exercendo um trabalho ou atividade filantrópica, torna-se necessário parar. Precisamos dar um “stop”, fazer um balanço das ações desempenhadas e analisar se houve crescimento ou retrocesso.

Porém, o que mais me chamou a atenção é que, segundo ele, este ciclo que terminou deve ser finalizado de maneira categórica, e o próximo projeto tem que ser executado de preferência em outro lugar. Sugeria inclusive a opção de mudar a atividade.

Não sei por onde anda Dr. Olinto. Deve está por aí, colaborando com alguma comunidade em algum lugar, dividindo seus conhecimentos com a sociedade. O que sei é que estou usando de sua  sabedoria para respaldar  decisões que serão tomadas com relação aos ciclos e às etapas da minha vida.

Hoje vendi minha câmera fotográfica. Desfiz-me da principal ferramenta que me fazia ser fotógrafo. Já não era mais uma máquina “top de linha”, mas estar com ela significava uma possibilidade – ainda que remota - de retorno ao glamour do mundo da fotografia.  Estou chateado, sim. Talvez até sem razão, porque já havia me desfeito de outros elementos  importantes, como o estúdio, peças que compunham  um ponto comercial fotográfico.

O fato é que já faz muito tempo que não exerço e nem pratico os exercícios que levam o fotógrafo a capturar artisticamente o assunto escolhido. Somem-se os meses sem postagens, neste blog, de assuntos relativos à fotografia.  Apesar de o meu afastamento ser justificado, sinto certo desconforto por não estar cumprindo meu papel de “blogueiro fotográfico”  de maneira satisfatória.

Acho que Dr. Olinto tem razão com relação a esse assunto sobre ciclos da vida. Na minha trajetória, acabei por mudar radicalmente algumas vezes. Quando jovem, ingressei na Polícia Rodoviária. Claro que não achava que fosse uma temporada e sim algo “para sempre”. Devido às agruras da vida militar, e depois de certo tempo de funcionalismo, mudei completamente de rumo. Contrariando a lógica atual, abri mão da estabilidade e da segurança oferecida pelo serviço público e, sem hesitar, fechei aquele ciclo.

Resolvi abraçar o universo que o setor de vendas oferecia. Fui vendedor durante alguns anos e mais tarde alcancei o cargo de supervisor. Depois de alguns anos aconteceu mais um fechamento de ciclo. É verdade que nesta última mudança houve influência de outros fatores como a mudança da família, retornando para esta cidade.

Tornei-me fotógrafo profissional. Nesse novo caminho, pesaram certo conhecimento que já possuía como praticante apaixonado de fotografia amadora. Iniciei novo caminho, totalmente diferente do outro.

Fotografia é a atividade que mais marcou meu trabalho e ainda enriquece minha vida. Constitui o melhor dos ciclos por mim empreendido. O trabalho com a fotografia foi o que mais incentivou meu crescimento em relação à família, à sociedade e à comunidade próxima. O contato mais profundo com esta arte contribuiu para que minha sensibilidade aflorasse e a relação com os outros fosse amadurecida. Além da evolução do respeito mútuo, os compromissos eram executados com alto profissionalismo, resultando na satisfação dos clientes e do profissional.

Entretanto, caros amigos, este ciclo também chegou ao fim. Chegou a hora de tomar coragem e registrar o final desta era. Não consigo mais produzir fotografia e não me julgo mais capaz de me atualizar sobre o assunto. Consequentemente, o blog ficaria cada vez mais carente de informações e material específico sobre o assunto.

Na atual conjuntura, faz se necessário encarar meu novo ciclo que, como os outros, é totalmente diferente dos anteriores.  Por ora, devido ao conjunto de acontecimentos que envolvem minha saúde, torna-se importante me dedicar exclusivamente aos meus tratamentos.


Continuarei postando informações minhas e dividindo emoções e experiências. Se alguém quiser saber como estão indo as coisas em relação a mim, é só continuar acessando o mesmo endereço.  O layout do blog irá mudar devagar para um visual diferente, de uma forma que vá se descaracterizando em relação ao último ciclo, ou seja: a fotografia.

Sinto-me totalmente realizado no trabalho exercido na profissão de fotógrafo. Agradeço ao apoio que recebi de todos. O blog foi um sucesso e o feedback foi registrado quase sempre no espaço dedicado aos comentários. O blog foi a coroação do antigo ciclo.


Importante ressaltar que, apesar de tratar de assuntos difíceis, o novo perfil do blog não terá características tristes - nem pretende ser objeto de divulgação dos acontecimentos vividos por mim. O que pretendo é continuar me comunicando com os amigos que já possuo, adquirir novas amizades e podermos crescer juntos, nos apoiando mutuamente.


Abraço a todos os que foram meus clientes e a todos que são leitores. A partir de agora, declaro aberto o novo ciclo. Abraço especial aos 26 seguidores que registraram seu perfil.

Obrigado pelos quase 6000 acessos registrados até hoje

Assim como comecei, encerro este“post” com um texto de Fernando Pessoa, que vale a pena ser lido:

Abraços a todos,

Gilberto Lobato - 29/10/2011 - Fim de Ciclo.
 
                                                                                                        Ciclos da Vida  
                                                                                                            Fernando Pessoa





"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrar ciclos, fechar portas, terminar capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outra cidade? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer a si mesmo que não dará nem mais um passo, enquanto não entender as razões que levaram certas coisas que eram tão importantes e sólidas em sua vida, a serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, seus irmãos. Todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará. Não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!), destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças, significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos, e às vezes perdemos... Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu génio, que entendam o seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso estará apenas o envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante encerrar ciclos, não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e transforme-se em quem é. Torne-se uma pessoa melhor e assegure-se em quem é. Torne-se uma pessoa melhor e assegure-se de que sabe bem quem é antes de conhecer alguém e de esperar que ela veja quem você é.
E lembre-se: tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."






sábado, 16 de julho de 2011

AFINAL... DO QUE RECLAMO?

Pneumonia; desta vez foi ela a responsável por oito dias de hospital e uma recuperação domiciliar que dura até hoje. Tanto tempo sem postar se deve ao fato deste restabelecimento. Outro motivo é a névoa que insiste em me rodear. Depressão? Não, não é depressão. Não aceito depressão. É apenas névoa... porém, espessa o bastante para esconder o horizonte.

Não posso reclamar, reclamar de nada. Definitivamente tenho tudo que peço do Alto e muito mais. Se peço ao Céu que me dê forças para transpor os obstáculos impostos, não tenho razão para temer a névoa. Acredito que a fumaça que me impede de ver o horizonte seja nuvem passageira. Logo estarei vendo e sonhando novamente com montes longínquos e futuros possíveis.

Continuo feliz e mantendo o sorriso. Porém, às vezes sinto que o cerco está se fechando. As notícias dos diversos resultados dos meus exames vão aparecendo e vão sendo absorvidas pela mente. Existem momentos em que chego a pensar que meu corpo inteiro conspira contra ele próprio. Mas, além do meu equilíbrio, que até agora me coloca de pé, existe uma multidão que me ajuda a andar para frente.

Minha esposa Elzi, mulher de fibra e guerreira, recebe todas as más notícias a meu respeito em primeira mão. Me transmite de uma forma pouco impactante e nunca deixa transparecer desespero ou desânimo em relação aos meus problemas. É uma grande esposa!

Meu filho Arthur, consegue prosseguir os estudos na faculdade, apesar das constantes más notícias sobre minha saúde. Lucas, o caçula, leva sua vidinha bem humorado, mas sempre querendo saber sobre os meus problemas. Quando a coisa aperta e o pior pode acontecer, toda verdade do que está por vir é contada a ele sem rodeios. Achamos que a verdade é melhor forma de lidar com esta situação, apesar de procurarmos proporcionar a ele uma vida normal.

Meu Pai: este não me deixa nunca. Faz questão de estar do meu lado em todos os momentos. Ele nos hospitais, nas viagens e na minha casa, enquanto minha mãe segura nas orações com pensamento fixo na minha recuperação. São de ouro. Os dois. Quanto aos meus irmãos, seguem a mesma linha, estão fechados comigo.

Não menos importantes tenho os parentes e amigos. Estes ficarão para um próximo “post”, pois são muitos e não quero me esquecer de ninguém.

Então meus amigos, é como eu disse no início: reclamar de quê?

Bom final de semana a todos.

Gilberto.



sábado, 28 de maio de 2011

ALTARES


UM OLHAR MONOCROMÁTICO

Alguns altares de igrejas de Formiga e Regiâo


Igreja Matriz de Bambui - MG


Pintura acima do altar na Igreja Matriz de Pedra do Indaiá - MG


Altar mor da Igreja Matriz São Vicente Férrer em Formiga - MG


Altar da igreja Matriz de Arcos - MG


Altar da Capela Santa Terezinha em Formiga - MG


Altar mor da Igreja Matriz de Pedra do Indaiá - MG


Altar da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus em Formiga - MG


Vitral e altar da Igreja Matriz de Córrego Fundo - MG




sexta-feira, 15 de abril de 2011

BENDITO CÂNCER QUE ME ACOMPANHA


                  PARTE II


“Meu câncer é meu vizinho”.

Não. Esta frase não é minha. Peguei emprestado de David Servan, que, em entrevista a uma revista, assim explicou sua relação com a doença. A revista é de 2008, por isso não sei de sua condição hoje. Mas o fato é que sua entrevista mostrava uma relação com a doença parecida com a que eu mantenho. Nossas experiências se assemelham tanto no que se refere ao tipo da doença quanto ao modo se conviver com ela.

Ao se referir ao câncer como seu vizinho, disse:

Se eu mantiver o terreno saudável, eu e minhas células cancerosas  continuaremos a viver como bons vizinhos por um tempo, talvez um    longo tempo”.

Relutei um pouco em registrar esta segunda parte do texto, porque achei que a primeira parte ficou muito extensa e isso pode ter contribuído para que a leitura ficasse cansativa. Preocupa-me um pouco o fato de que o teor do texto tenha despertado nos leitores um sentimento de dó ou piedade. Afirmo que este não é o objetivo das postagens, nem tampouco tenho a intenção de passar uma imagem de uma pessoa especial, dotada de mais equilíbrio que as outras ou coisa parecida. Porém, as manifestações de carinho que recebi por e-mail e pelo blog, me fizeram passar por cima das indagações e continuar com o relato, pois meu objetivo é levar alguma mensagem positiva aos outros.

Queridos, a experiência de ficar cara a cara com a morte nos traz a confirmação do quanto a vida é preciosa. Viver a rotina da vida longe dos problemas – principalmente os de saúde -, às vezes nos impede de ver a beleza de viver. Parece que não sobra tempo para se contemplar as coisas básicas, mas que são de suma importância. Não há tempo para sentirmos nossa pulsação e ouvirmos nossa respiração. Poucos valorizam o ar respirado. Esquecemo-nos da gratuidade do oxigênio que nos permite viver e da água que jorra com fartura no planeta - por enquanto. Muitos só se lembram disso no quarto de um hospital.

A desculpa é de que a vida é corrida! Ainda mais nesses tempos de revolução digital e de informação a jato. Ainda na infância, a agenda já está cheia: As crianças começam o dia com carga pesada em tarefas do colégio; logo após tem futebol, natação ou karatê. Almoçam rápido, pois não podem chegar atrasado ao colégio. Depois da aula têm dentista, aula de xadrez ou outra atividade. Alguns ainda fazem inglês, informática, coral, kumon, balé etc. Será que isto está certo? Será que nossas crianças precisam disso tudo? Na minha época e da maioria de vocês não, e nem por isso somos incapazes...

A vida desenfreada continua na fase adulta, com a pressão cada vez maior pelo sucesso e boa aparência.

A lição é esta: Não perca tempo com bobagens e com o que faz mal à saúde e/ou à alma, a vida é extremamente rica se soubermos escolher nossos caminhos, buscando emoções saudáveis. Importante trabalhar no que nos dê prazer. Trabalhar insatisfeito provoca doenças. Não esqueçamos dos sonhos que tínhamos a realizar e foram deixados para trás.

O corre-corre da vida nos força a adotar um sistema de praticidade com as tarefas e responsabilidades do cotidiano. Em nome dessa praticidade nos deixamos levar pelas armadilhas da acomodação. Este tipo de vida quase sempre vem acompanhado de vícios e sedentarismo. Sugiro que façamos uma pausa para meditarmos sobre a vida, sobre os verdadeiros valores, sobre o que realmente é importante e prioritário para nossa existência e o que precisamos para sermos felizes com consciência.

Como disse no início do texto, não permita que uma doença qualquer se instale em você para começar a valorizar as coisas vitais. Invista mais nas pequenas coisas do dia a dia. Importante respeitar os outros, principalmente os mais humildes. Seguir um credo é fortalecedor, mas é necessário respeitar a religião dos outros.

Por incrível que pareça, aprendi muito sobre a essência de ser cristão com um amigo ateu, cuja vida é pautada por exemplos de cidadania, fraternidade e ética. Infelizmente, pessoas assim não encontro com facilidade nem dentro da minha própria igreja.

Antes eu defendia a idéia que o ser humano nasceu para brilhar, que devíamos buscar a felicidade a todo custo. O sofrimento me mostrou outro caminho. As horas de solidão impostas pela doença me fizeram ver que a busca da felicidade não pode se dar a qualquer custo. Quando buscamos a felicidade em primeiro lugar, ou o prazer imediato, a única coisa que conseguimos enxergar é nosso próprio umbigo. Precisamos cuidar para não passar por cima dos outros, ou de suas necessidades. Para alcançarmos nossos ideais, corremos o risco de magoar as pessoas, principalmente os mais próximos. Portanto, tenhamos cautela na busca da felicidade.

Se a doença insistir em se instalar, então não adianta se desesperar. Se o desespero e angústia vierem, chore, mas depois erga a cabeça e enfrente a situação. Algumas pessoas sentem vergonha de estarem doentes, achando que isso a diminuiria perante os outros. Não entendo que esta seja a atitude correta. Dividir as experiências, com humildade, pode nos ajudar a viver melhor e talvez até ajudar outras pessoas.

Costumamos achar que nosso problema é sempre maior que o dos outros. Mas no cotidiano dos hospitais é que vemos quantas pessoas sofrem mais do que nós. Crianças, jovens que teriam uma vida pela frente, sem praticamente qualquer expectativa de realizar seus sonhos, com dores insuportáveis, buscando tratamentos que causam mais sofrimento que a própria doença; mães acompanhando o calvário dos filhos, sem nada poder fazer.

Enfim, o que tenho feito é viver um dia de cada vez. Em geral, o dia seguinte é pior que o anterior para quem tem este tipo de doença. Mas, se ela me dá uma trégua, nem que seja pequena, aproveito cada momento. Estou estudando (na Federal), fazendo um curso à distância, de Administração Pública. Brinco dizendo que talvez ele possa me ser útil para ajudar a administrar “ o céu.”

Tento fazer do câncer “um bom vizinho.” Como disse a Elzi, entre uma trombose e outra – e essa última foi forte-, uma internação e outra, escrevo, leio, rezo, trabalho quando consigo, planto árvores... Uso a tecnologia para me manter ligado. Tento rir da situação (que às vezes é engraçada mesmo...) choro quando fica muito difícil. Aproveito a presença de meus filhos e agradeço a Deus por eu, e não um deles, estar doente.

Quero ser lembrado como uma pessoa feliz, não como uma pessoa doente. E tento me preparar para o que todos nós (e você também, leitor) teremos que viver um dia: a partida para um lugar ou estágio melhor - ou pior, dependendo de como levarmos nossa vida.

Espero que tenha conseguido me fazer entender quando comecei o outro relato me referindo ao câncer que me assola como “bendito”. Foi desta maneira, foi da forma mais brutal que entendi os verdadeiros valores e o sentido da vida. Apesar de católico, esforcei-me para não dar uma conotação religiosa ao texto, por isso não vou entrar aqui na questão da salvação espiritual que este tema reflete. Este assunto merece um post dedicado somente a isso.

Mais uma vez eu digo que hoje minha felicidade é mais autêntica que a de antes. Valorizo mais a vida, minha família e meus amigos.

Obrigado, meu Deus, por minha vida. Obrigado por ela ser exatamente como ela é, porque foi desta forma que consegui entender Sua mensagem e me sentir mais próximo do eterno.

Muito obrigado, de coração, a todos que me mandaram mensagens positivas, que oram por mim, independentemente de religião, e que me apóiam nessa caminhada.

Finalizo esta postagem com a música "Epitáfio". Maravilhosa composição de Sérgio Britto, eternizada na interpretação dos "Titãs". Esta música é um convite para uma meditação a respeito do “corre- corre” da vida.




Abraços a todos.

Gilberto Lobato